domingo, 18 de novembro de 2012

Uma excelente coleção que acabei de ler e indico para quem deseja trabalhar acerca das questões e contribuições dos povos africanos, é a Coleção Griot Mirim- editora Mazza Edições.
Os griots são contadores de histórias que representam muito bem o povo africano, eles contam as histórias de seus antepassados para que se mantenham vivos os saberes acumulados de um povo, utilizam da oralidade para transmitir seus ensinamentos.
São quatro livros que reúnem histórias das gerações passadas dos povos africanos: suas vivências, lutas, questões pertinentes a identidade, etc.
Vou postando uma por vez.
1ª história Mãe Dinhã    de Maria do Carmo Galdeno

          Mãe Dinhã  era uma avó diferente, pele reluzindo tons de bronze, olhos cor da noite com brilho de estrelas. Lenço na cabeça prendendo os cabelos de nuvem. Andava com a elegância que os muitos anos lhe permitiam: Passos curtos de gemido acompanhados, mãos disponíveis nas dores e alegrias.
          Era assim mãe Dinhã ! Durante o dia sempre algumas merendas, biscoito de polvilho, broas embrulhadas em folhas de bananeiras, coalhada, sementes de abóbora torradas, coquinhos e torrões de rapadura....
          À noite debulhava história ao debulhar o milho, sabia cantigas de adormecer o medo do escuro, quantos segredos, mãe Dinhã conhecia? Limas murchas no baú para curar gripes que insistem, laranjas colhidas no pé preveniam qualquer mal estar que deixasse as crianças prostadinhas, chá de guaco para tosse comprida, folha de bálsamo esmagada para cortes que sangravam e raspões que ardiam, raspas de mandioca para as unhas arrancadas nas topadas. Uma cruz de palha testa parava qualquer soluço, um naco de papel grosso no céu da boca estancava o sangue que corria pelo nariz. Nenhuma dor, nenhum mal resistia aos seus bons tratos.
         Mãe de todos, madrinha de muitos, mãe Dinhã tinha carinhos escondidos no bolso da saia, chispava olhares para as desobediências, ria sonoros risos da falta de jeito dos pequenos diante das novidades do mundo.
         Inventava brinquedos de coisas não brincáveis de sabugos de milho fazia-se bois, chuchus tornavam-se diferentes bichos, pedrinhas para jogar cinco Marias, sementes achatadas, redondas e esvoaçantes eram diversões.
         O mundo ficava encantado perto de uma avó assim, tinha firmeza de mãe misturadas com ternura de madrinha, e tinha mais, herança de mãe Tereza, trazida da África, herança de fortaleza, herança de alegria, herança de amor, herança de dores... e sobretudo aquele jeito de juntar crianças que netas não sendo, sempre seriam. Essa história foi contada por minha mãe sobre sua avó  do coração.



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